Estou na 18a semana de gestação. É um menino: Antônio. Meu filho.
Sinto-me como Lobsang Rampa quando sofreu a operação de abertura do terceiro olho: enxergo as pessoas com uma tal lucidez assustadora! Vejo, ouço, capto qualquer mínima inflexão da voz, um gesto que se repete, uma mentira escondida, um olhar que se desvia...é constragedor demais constatar as mentiras de pessoas tão próximas de mim, coisas que até então nunca havia percebido. Máscaras caem, papéis se desfazem. Estabeleço as mais absurdas conexões entre falas com minutos de intervalo, informações que os próprios autores nem se dão conta. Penso: se eu consigo perceber tudo isso, estas pessoas tanbém percebem que eu percebo????? Muitas vezes tenho que mentir para ocultar aquilo que acabei de perceber, e neste instante sou ou não percebida???
Esta lucidez está comigo desde o início do ano, mas tem se acentuado a cada dia, e de certa forma, começa a atrapalhar: nem sempre, aliás, quase nunca, é positivo conhecer tão bem gestos e atitudes de outras pessoas. Está mexendo com minhas crenças, alterando opiniões, estou revendo conceitos...
Será que estou sendo preparada para quando Antônio nascer? A realidade está sendo desvendada agora pra mim para que eu possa guiá-lo com a mesma lucidez em seu aprendizado?Quero muito acreditar nisto...
Só eu sei o que está sendo exigido de auto-controle meu para lidar com as surpresas nem sempre boas que chegam: uma amiga que exibe uma fala e um comportamento que descobri que não é o real; família que demonstra em gestos de aparÊncia banal e cotidiana atitudes vazias, fúteis, pequenas e pior, burras...
É como se o mundo real estivesse explodindo em cores, sons, cheiros, gostos, toques o tempo todo, e não tenho como fugir desta overdose de estímulos! Estou esgotada, cansada, pronta pra sair gritando: Chega!!!!! Quero paz! Quero curtir minha gravidez com alegria e tranquilidade! Não quero ter que ficar tomando decisões por mim e principalmente pelos outros cada segundo do dia! Quero poder não pensar! Quero que este turbilhão em que se transformou minha mente com este excesso de informações com o qual estou tendo que conviver, cesse! Quero sorrir em paz! Quero ter novamente vontade de cantar! Quero acreditar de novo nas pessoas...